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Goiás lidera e tem 5 vezes mais dengue do que a média nacional

Enquanto o País tem 254,1 casos a cada 100 mil pessoas, estado tem 1.336 ocorrências. Goiânia, por sua vez, tem o maior número de registros absolutos da doença.

Goiás lidera e tem 5 vezes mais dengue do que a média nacional
Lixo acumulado no Residencial Orlando de Morais.
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Uma média de 1.366 pessoas a cada 100 mil habitantes de Goiás estão ou já estiveram com dengue este ano, o que torna o estado o de maior índice de incidência da doença no País. O número é 5,37 vezes maior do que a média nacional, que é calculada em 254,1 casos a cada 100 mil pessoas. O avanço da dengue, classificada como uma arbovirose, no Brasil, que já soma 542 mil casos e se aproxima do total confirmado em todo o ano passado, com 544 mil, se dá no cenário de queda da pandemia da Covid-19 e como consequência da ausência de cuidados na contenção dos criadouros do mosquito aedes aegypti, responsável pela doença e ainda pela chicungunha, zika e febre amarela.

O levantamento é parte do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, que mostra ainda Goiânia como a cidade brasileira com o maior número absoluto de casos de dengue, somando, até a publicação do documento, 31.189 confirmações. Neste ranking, Brasília (DF) está na segunda colocação, com 29.928 casos, e Palmas (TO) que já soma 9.080. A capital goiana é ainda a quarta cidade com base na incidência por 100 mil habitantes, cuja comparação é liderada por Palmas (TO), com 2.897,7, seguida por Araraquara (SP), com 2.330,2, e Chapecó (SC), que chega a 2.083,6.

Superintendente de Vigilância de Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES-GO), Flúvia Amorim relata que já havia indícios de um alto número de casos no estado em 2021. “Já em maio do ano passado e no fim do ano emitimos alerta aos municípios sobre o aumento de dengue e chicungunha. Vários fatores contribuíram para isso”, diz. Os índices são resultado da soma do alto volume de chuvas, aumento da temperatura e a falta de cuidados para conter os criadouros dos mosquitos.

Flúvia explica que a pandemia da Covid-19 fez com que as secretarias de saúde e os profissionais focassem nesta doença e acabou por prejudicar o cuidado com a dengue. Além disso, houve redução no número de visitações nos domicílios para o combate aos criadouros, justamente para evitar as aglomerações nas residências e respeitar o isolamento social necessário para conter a Covid-19.

Além disso, os dados mostram a predominância do tipo 1 da dengue, que está em 95,7% do total de casos registrados em 2022. Flúvia ressalta que a doença possui quatro tipos conhecidos e que uma pessoa contaminada uma vez com determinado tipo só terá a doença pelos outros três restantes. Ela lembra que já faz tempo que o tipo 1 foi predominante em Goiás e, por isso, o número de pessoas susceptíveis a ele no estado é grande, o que facilita a proliferação da doença.

Por outro lado, a superintendente acredita que a liderança goiana no ranking nacional de incidência da dengue está com os dias contados. “Pela nossa análise, o pico já passou ou está passando na maioria das cidades. Não vai zerar os casos, mas vai dificultar, porque agora é a época em que faltam chuvas e prejudica o ciclo do mosquito. Nos estados da região Nordeste é o contrário e o pico deve começar agora. A nossa tendência é cair daqui em diante.”

 

Estado ultrapassou total de casos registrados em 2021

Os dados apresentados no Painel da Dengue da Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES-GO), mais atualizados que o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, mostram números ainda piores da doença. Se levarmos em conta, por exemplo, apenas a quantidade de casos confirmados em Goiás neste ano, até o dia 23 de abril, as verificações feitas no ano passado já ficaram para trás. De 1º de janeiro até a data mencionada, o estado já confirmou 56.470 contaminações com dengue, enquanto que em todo o ano de 2021 foram registrados 54.773 casos. 

Válido ressaltar que a SES-GO ainda registra 117.752 notificações, em que os pacientes não tiveram ainda a confirmação da doença, embora estivesse com sintomas característicos. O número deste ano, com menos de quatro meses de registros, já é 52,6% do total registrado em 2019, ano em que se tem o recorde histórico de casos desde 2015. Naquele ano, Goiás teve um total de 107.278 casos confirmados de dengue. Em Goiânia, os dados de 2022 já são 96,5% do que foi verificado em todo o ano de 2021, com 9.274 confirmações contra 9.607.

Superintendente de vigilância em saúde da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Yves Mauro Ternes afirma que o Paço Municipal tem realizado várias ações para o controle do vetor da dengue. Ele confirma que o relaxamento da população e dos agentes de saúde no combate à doença, sobretudo em razão da pandemia da Covid-19, além do forte período chuvoso, fez com que a capital chegasse à situação de ser a cidade com maior número de casos em todo o Brasil.

Ternes considera, no entanto, que apenas a redução das chuvas a partir desta época do ano não será suficiente para retirar Goiânia da situação de epidemia da dengue. “A cidade tem persistência dos focos nas residências”, diz, o que necessita das ações de combate. Na semana passada, a coordenadoria de Fiscalização da SMS somou 1.090 residências visitadas, em que 170 foram autuadas por terem foco de aedes aegypti e 44 intimadas. O superintendente ressalta ainda que a capital também está em epidemia de chicungunha, cujo vetor é o mesmo inseto. Até a semana passada, a incidência desta doença na cidade estava em 22 casos a cada 100 mil habitantes.

FONTE/CRÉDITOS: O Popular
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