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Próxima safra de grãos pode ser a mais cara da história

Aumento no preço de fertilizantes, insumos e óleo diesel podem afetar na produtividade da próxima safra

Próxima safra de grãos pode ser a mais cara da história
Imagem: Internet
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A forte alta dos custos de produção, de dois anos para cá, está obrigando os agricultores a fazerem muitos cálculos antes de definirem o plantio da próxima safra de grãos. A estimativa é de que esta seja a safra mais cara da história e os produtores ainda avaliam se a cotação dos grãos conseguirá acompanhar esta evolução dos custos. O risco maior é de queda no uso de fertilizantes, o que pode impactar na produtividade das lavouras e reduzir a produção.

Um levantamento do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag) mostra uma elevação média de 268,46% no custo dos fertilizantes e de 307,67% nos defensivos, de 2020 a abril de 2022. O engenheiro agrônomo Rodolfo Silber, analista de mercado de Scot Consultoria, dá o exemplo da ureia, que tem o gás natural como uma de suas principais matérias-primas e cuja oferta tem sido impactada pela guerra entre Rússia e Ucrânia.

“Os defensivos tiveram uma alta média de 86% de 2021 para cá”, informa Rodolfo. Ele lembra que o Brasil tem uma grande dependência externa destes produtos, cujos preços também foram impactados pela alta do frete marítimo. “O conflito provocou uma desorganização no abastecimento da cadeia global”, destaca. 

O analista alerta que isso pode provocar uma redução no plantio da próxima safra ou no uso de fertilizantes, o que impactaria a produtividade. Para o coordenador institucional do Ifag, Leonardo Machado, o produtor não deve deixar de plantar, mas terá que fazer uma maior captação de crédito no mercado. “O maior volume de recursos será o grande desafio da próxima safra”, prevê. Segundo ele, a falta de fertilizantes está cada vez mais afastada porque o produto tem chegado ao Brasil, vindo de países como o Canadá, após negociações do Ministério da Agricultura, e até mesmo da Rússia.

O levantamento do Ifag mostra que o custo operacional efetivo para o plantio aumentou 127% de 2020 para cá: a previsão é que o produtor tenha que desembolsar R$ 6,2 mil para plantar cada hectare na próxima safra, contra R$ 2,7 mil naquele ano. Por isso, Leonardo estima que o governo federal tenha que investir mais na próxima safra, ou seja, terá de oferecer um volume maior de crédito. Entre julho de 2021 e abril de 2022, foram aplicados R$ 230 bilhões em todas as modalidades de crédito rural no País.

Na visão do agricultor José Fava, que produz grãos em Campo Alegre de Goiás, esta alta de custos não deve alterar a expectativa de plantio da próxima safra em Goiás. Porém, o produtor ficará mais ‘espremido’. Ele lembra que o custo dos insumos está subindo mais que as cotações das commodities, que já estão num patamar elevado. “Já temos uma inflação dos alimentos e a população não tem mais capacidade de pagamento para novos aumentos”, reconhece. 

Mas ele ressalta que a saca de soja subiu de R$ 80 para R$ 170, enquanto o fertilizante foi de R$ 1.500 para R$ 7 mil. Ao mesmo tempo, a alta de juros restringiu e encareceu o crédito. “A conta do produtor está muito espremida hoje. Vale lembrar que uma safra muito grande também reduz preços e pode levar a um balanço negativo”, analisa.

Para reduzir o impacto da alta no custo da próxima safra, a agricultora Graziela Firmino Carlos Gregório, que produz soja, milho e sorgo na região de Piracanjuba, desistiu de plantar também em terras arrendadas e só vai produzir em suas próprias terras na próxima safra. “Desistimos do arrendamento por medo da conta não fechar, pois o preço do arrendo, que variava de 40 a 50 sacas por alqueire, hoje já varia de 70 a 80 sacas, podendo chegar até a 100 sacas, dependendo da região”, conta.

O gasto com fertilizantes, que antes variava de 6 a 7 sacas, hoje já está em 14 sacas. “Realmente não está faltando fertilizante, como se temia. Mas o preço está subindo muito”, explica Graziela. Após a decisão de desistir do arrendamento, sua área plantada cairá de 270 para 180 hectares. “Já reduzimos 100 hectares no plantio da safrinha e vamos manter isso para a safra de verão. É preciso planejar muito bem agora, inclusive a tomada de crédito”, avalia.

 

FONTE/CRÉDITOS: OPopular
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